sábado, 30 de maio de 2009

Para uma menina com uma flor



Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.


E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.


E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.


E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.


E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.


E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.
(Vinicius de Moraes)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Mando notícias


Tenho que tomar o máximo de cuidado pra minha vida não ser um eterno devaneio. Acho que certas coisas acontecem pra me lembrar onde estou, já que na maioria das vezes estou no etéreo.
O exagero é uma constante, ou desço ao inferno ou subo aos céus. Mas a terra é uma mistura de tudo isso. Hoje por exemplo, é um dia dúbio, duas datas de importâncias adversas e extremas.

Mas como eu tenho um céu, prefiro evadir na direção dele. Enquanto eu puder achar que ele existe, mesmo que só eu o enxergue, mesmo que ele não passe de mera ilusão de ótica, eu vou por esse caminho. A vida fica mais fácil e mais bonita, vivendo menos e sonhando mais. Tenho consciência dos perigos de estar no alto, mas prefiro ficar por aqui.

Por favor me deixe onde estou.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ode às cores...de quem sabe ter!


Eu vejo. Vejo a efemeridade da vida, das pessoas, das relações e apesar de tudo isso, vejo gente perdendo vida o tempo todo. Vida não se perde morrendo, se perde ainda vivo, quando você desperdiça a oportunidade diária de ser agradável com aqueles que te cercam. Não gosto de pessoas contamináveis, coléricas, que se apegam a qualquer detalhe típico da terra, pra destilar suas infámias em quem atravessar o seu caminho. Tudo isso porque se acha intocável.
Talvez seja falta de entrar em contato, por que quem tem a oportunidade de ser tocado com o interior do outro, que se exterioriza através da boca, dos olhos, das mãos... é capaz de compreender muita coisa que geralmente não se compreende por aqui. As vezes eu falo como se não fosse desse mundo, acho que sou um et do planeta da sensibilidade e sinto falta dos meus. É só isso.

terça-feira, 28 de abril de 2009

É preciso esvaziar o balde


O elevador quebrou. Essa metáfora da minha vida até se materializou aqui no meu prédio. E eu tentando criar coragem pra começar a subir sozinha. Tenho dificuldades em ser sozinha, em não "poder contar", talvez seja essa minha maior prova, não usar as pessoas como muletas, aprender a me levantar por mim mesma e caminhar, assim como todo mundo faz. No momento, estou tentando livrar minha cabeça do meu coração, ou meu coração da minha cabeça, a ordem não importa. Estou tentando lembrar que a terra não é o céu e que se eu quiser chegar até lá, preciso ser mais do que estou sendo, preciso aceitar os desígnios de Deus com naturalidade, sem aflições, sem desespero. Sendo que meu desespero não é desesperado, é estático, fico inerte. Sinto-me a espera de apenas mais uma gota para desabar. Uma gota que não é de maneira alguma definitiva na minha vida, mas é definitiva no momento que estou vivendo.

Juro, estou me esforçando, vou continuar tentando me livrar de mim mesma. Mas é que toda vez que eu tento ser positiva, eu levo uma rasteira que vem na mesma intensidade do meu otimismo momentâneo, parece um teste. Parece triste. é.

Preciso colocar em prática tudo que eu aprendi, preciso corresponder ás pessoas que se esforçam tanto pra que eu não desmonte, preciso ser de aço e não de água, e não de lágrima. Vou achar a superfície.

sábado, 25 de abril de 2009

Uma estrela chega ao céu


São raras as estrelas da terra que também conseguem brilhar no céu. O brilho nesse caso é duplo, não só pelo merecido reconhecimento por ser um comentarista brilhante, um radialista brilhante, um escritor brilhante, um poeta brilhante, mas principalmente uma pessoa brilhante. Eu só tenho a agradecer a Deus, por ter me permitido receber um pouco dessa luz, que virou referência, um farol profissional que me guiava nos meus frequentes maremotos sobre presente e futuro. Não é de se estranhar que ele tenha partido, Deus quer ao lado os bons de alma e ele sabia como ser, tanto sabia que não precisava muito pra sentir isso, bastava ler uma de suas poesias com tanto sentimento, com tanto dele, com tanta sutileza, com tanto.

As palavras estão me faltando, estão me faltando muitas coisas no momento, inclusive a figura do maior incentivador que eu já tive, durante esse meu pequeno percurso. O que está sobrando, além de uma sensação estranha de perda de referencial e sentimento estravazado, é o orgulho que eu tenho de poder ter tido como meu exemplo Andreson Falcão. Como eu sei que o corpo volta a natureza, assim como o espírito volta ao reino dos céus, ele continuará sendo o meu referencial e em cada desafio profissional que eu tiver na minha vida, em cada oportunidade que me for concedida, eu vou lembrar das palavras daquele que me deu a primeira chance de todas(mesmo eu não sendo ninguém, mesmo até eu não estando pronta pra agarrar aquilo que ele tentou me dar). Para sempre suas doces palavras de incentivo estarão nítidas em minha lembrança e eu farei de tudo para fazer jus ao potencial que ele dizia ver em mim, que ele mais do que ninguém tanto me incentivou a desenvolver.

Que essa tristeza que eu sentindo, seja rapidamente substituída pelo sentimento de satisfação, por ter a certeza de que do lado que ele está, sem dúvidas ele poderá fazer mais em prol do amor, o mesmo amor que ele tratava em seus versos, o mesmo amor que atravessava seus olhares o mesmo amor com qual, eu retribuo toda atenção que ele deu aos meus estágios instáveis, aos meus projetos inconcretos, a minha falta de fluência nas palavras toda vez que eu estava ao lado da sua "grande" pessoa.

Obrigada por ser meu "mais importante" ouvinte, obrigado por ser meu "mais importante" leitor de blog, obrigada por dizer tanto de mim em versos tão sinceros, obrigada por ser a figura que eu levarei por toda minha vida como exemplo, meu primeiro referencial, por ilustrar com o próprio exemplo o que é bom humor, espontaneidade e amor pelo que se faz. Minhas orações, meu sentimento saudoso e toda gratidão é pouca, pelo significado tão singular que teve em minha vida.

Que brilhe muito mais aí do céu como toda verdadeira estrela faz.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Considerações de uma pessimista


Talvez o título esteja desconexo com o corpo do texto e com a imagem, mas não está desconexo de mim. Sim, eu desacredito, eu me subestimo, eu sou pessimista e eu prefiro esperar pelo pior. Mas como toda regra tem sua exceção, ultimamente tenho sofrido uma explosão interna de otimismo e esperança. A definição certa não seria "sofrido", ao contrário disso, um contrário bem contrariado, porque eu mesma tenho medo de ser só expectativas.

O que eu tô descobrindo com esse surto de positividade é que de vez em quando, faz bem ter o coração recheado de fé. Quem acredita não morre de véspera(como eu costumo fazer), quem acredita se decepciona sim, mas como tem a certeza que dias melhores virão, esse tempo de recuperação é limitado...coisa que não acontece com os pessimistas. Agora, diferente de todas as vezes, estou procurando a música mais eufórica da minha playlist, estou mentalizando que eu sou capaz e tô até cantando: " I believe i can flyyyy, i believe i can touch the skyy"...

Eu aprendi e agora estou tentando colocar em prática, que a vida é mais ou menos o que se planta em pensamento. Pensamento é energia, é força motriz, é agente ativo na construção do destino. E sabe do que mais... no fundo, no fundo, eu nem sou toda pessimismo, uso só uma máscara de proteção, já que eu sempre tento e se eu tento é porque a esperança está escondida em algum lugar do meu incosciente. Sou pessimista que se move, que busca, que tem pressa, ou seja, mais cedo ou mais tarde seria inevitável, eu seria saborosamente"corrompida"pelo otimismo.

Cantem, vibrem, gritem, acreditem, item por item...item por item.

sábado, 11 de abril de 2009

L´amour


Le Petit prince, Voltaire, Edith Piaf, tout en mon couer.
Le fabuleux destin d´amelie poulain, Van Gogh, La tour eiffel.
Carla Bruni, Brigitte Bardot, Sofia Loren, Audrey Hepburn.
La nouvelle vague, Allan Kardec, le louvre, Rousseau.
Rodin, Amelie Veille, couer de pirate, Toulouse - lautrec.
Colher, abajour, des amour, baton, menage a troi, la gréve.
Madelaine, Bavcar, petit gateau, perfume, Etienne, français.(L)

Je ne pas besoin aller a France, j´ai la France dans moi.