quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Só um banho e uma decisão

Tirou o resto de roupa, entrou no box e abriu a torneira. Disparou a escorrer tanta, mas tanta coisa. [...]Se eu não gostasse tanto do que sou, ou ao menos do que tenho sido, talvez eu fosse mesmo, tentar "ser" em outras circunstâncias. Se eu não tivesse me descoberto tão minha, tão dona de mim, tão bastante À mim mesma... Eu sei que o que eu sou irá me acompanhar aonde quer que eu vá, mas será? Em outro contexto, muita coisa muda e eu não quero, nunca mais me perder de mim, porque de mim, meu amigo, eu não posso abrir mão. Se eu não me orgulhasse de cada laço que construi, de cada canto que pisei, de cada marquinha que deixei por onde passei, se eu não gostasse tanto de ser eu mesma, assim, talvez eu fosse e não olhasse pra traz. Mas o problema é que só aqui eu sou eu mesma. Só sou perto de quem eu quero, só sou no lugar que eu construí tudo que tenho, que é muito! É IMENSO. É meu sonho. Eu vivo diariamente o sonho, de estar onde estou, caminhando adiante, de cabeça erguida e suor na testa. Pra mim, isso que é muito e tem um valor, que nem consigo mensurar. Felicidade então deve ser isso, suponho. Ser feliz com o que se é, muito mais do que com o que se tem. Porque o que se tem é transitório e vai muito rápido. Então, se "ser" demora uma vida inteira e é resultado de anos de construção, como deixar isso? Como tentar ser, tudo de novo em um outro lugar, se aqui já tenho e já sou tudo que quero? E a minha busca incessante em viver o amor? Encontrei, dentro de mim. O amor sou eu, o amor está aqui por dentro. Está em cada trabalho que faço, está em cada bom dia que dou, tudo isso me preenche de amor{...] Pronto, caso encerrado, hoje ela não vai a lugar algum. Fechou o chuveiro e saiu. É ali, naquele momento que ela se despe de tudo, se despe do dia, se despe do que sente. Jorra tudo lá, molhando a cabeça e lavando também a alma. E hoje tá decidido, sem despedidas, sem mudanças drásticas, sem radicalizar a vida. Aquietou o espírito e resolveu o dilema. Só por hoje. obs:Texto escrito sem nenhuma trilha musical de fundo, devido ao alto risco de comoção e mudança de planos.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Demasiado

Já mordi toda lateral da boca, tenho esse toc horrível de consumir a própria boca, quando algo está me consumindo. Juro que não estou jogada às traças, ao contrário da minha vontade, estou correndo atrás de mim mesma, de uma pessoa que deixei de ser faz muito tempo, preciso recupera-la. Já procurei nos cantos mais improváveis, até debaixo do tapete, junto com a sujeirinha escondida que a muito tempo não limpava, mas acho pouco provável que eu tenha sucesso nessa busca. Acho que me reinventar é a única alternativa que me resta. Meu pulso não é firme o suficiente pra que eu coloque redeas na minha própria vida. Sou teimosa, passional, desobedeço minhas ordens. Eu sou minha própria mãe e minha própria filha, fico me dando distrações passageiras, tipo uma barra de chocolate, pra me dispersar alguns instantes dessa invasão de realidade, por alguns instantes eu consigo... ‎"A vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado." Mia Couto

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

domingo, 20 de janeiro de 2013

De volta a terapia

Resisti o quanto pude a entrar aqui e fazer essa postagem. Isso porque o nome desse blog deveria ser "tons de deprê" e não tons de lilás, você espreme e escorre um misto de dor e esperança, muitos altos e baixos pra uma pessoa só. Mas essa é minha terapia, então cá estou eu pra tentar expurgar de mim esse monstro feio, que tá comendo todos os meus órgãos por dentro. Pelo tempo que deixei de estar aqui, parece que as coisas andaram organizadas, mas não foi. Acho que eu me organizei por dentro e evitei um tanto. Mas de fato as coisas estavam menos desmanteladas... até o navio começar a naufragar e eu ficar sem força nenhuma, pra nadar, pra pedir ajuda, pra tentar me salvar, mesmo assim eu continuo boiando, hora submersa, hora respirando, porque é proibido se entregar, só por isso. Eu acho que a vida é mesmo assim, um mar enorme, imprevisível e se nadar a onda pega, se ficar o tubarão come (ótima comparação FAIL). Essa história de que é proibido se entregar, é muito cruel, te obriga a lutar sem força, te pressiona até a exaustão. Introjetei isso de não desistir e acabei me tornando uma grande loser, loser até o fim, porque nem disso eu desisto. Acho que foi um grande erro eu ter nascido peixes com ascendente em cancêr, 2 dias e eu poderia ser ariana torta, imune a essa bagaceira de mundo. Acho que tô um tanto melhorzinha, então já fez seu papel de psicoblogterapia. Espero não voltar em breve... but.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Na cara.

As vezes a gente sente a vida batendo na nossa cara, no meu caso de vez em sempre ela arruma um jeito de bater na minha cara. Acho que puxão de orelha deve ser pouco pra me ensinar alguma coisa. E eu não pensei que eu estaria aqui tão rapidamente em 2012 e se estou aqui, é porque possivelmente estou fora de mim, tentando me encontrar nessa multidão de coisas que circulam na minha cabeça. A gente costuma se arrepender quando faz alguma coisa errada, eu me arrependo de fazer a coisa certa, de ser tão ridiculamente certinha. sabe essas mocinhas de novela, que você assiste e só consegue pensar o quanto idiota ela é e quer bater na cara dela? Acho que é por isso que a vida bate tanto na minha cara.

As fechaduras estão quebradas, as chaves estão perdidas e a essa hora eu só consigo estar aqui sobrevivendo apesar da falta de ar e pedindo pra que a vida seja um pouco menos cruel, não precisa parar de ser, seria pedir demais, um pouco menos cruel, só um pouquinho. E apesar de todo o cansaço o sono não vem, a paz não vem e eu só queria ser guiada até minha casa, a casa que eu não sei onde fica, mas que tenho certeza que não é aqui nesse planeta. E antes que essas palavras duras, que passam rasgando o resto de coisa que tem aqui dentro encham todas as linhas desse blog, vou eu mesma tentar colar os meus pedaços e levantar, eu sei que jajá vem outra tapa na cara e eu preciso ser forte. Até mais.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Nada de jogar pra baixo do tapete!

Mude se achar que deve. Comece pelo cabelo e continue até que chegue as estruturas mais internas, aquelas que são congeladas que nem o tempo conseguiu atingir. Faça o que for preciso, mas mude pra melhor, comece demolindo o que não serve, feito um trator por dentro, pode machucar, doer, mas é pra melhor, foque nisso e não esqueça.. Pra melhor. Continue, construindo novas estruturas e recomece quantas vezes preciso, nada é mais duro do que ouvir e enxergar a si mesma, por isso silêncio! Silêncio pra distinguir música de barulho, inquietação de Estabilidade, o que é de plástico, de papel e de ferro.

Deve ser possível fazer essa faxina toda, nunca tentei, mas tô a fim de experimentar. Como toda faxina deve dar dó ter que jogar algumas coisas fora, se desprender do velho hábito do apego ao que não serve, mas pense no depois, a sensação de casa limpa é impagável, mesmo que seja por um tempo, até que chegue alguém pra bagunçar tudo novamente. Mas antes de tudo isso, antes de qualquer coisa acredite em você. Acredite que quando seu coração não disser nada, ele está sim dizendo muita coisa. Sinta-se por dentro e por fora e veja como você vale a pena pra si mesma. Ai recomece, quantas vezes for preciso. A utilidade das coisas deve ser considerada e tudo tem um tempo útil e depois... Depois é hora da faxina.